Equinos Medicina Física e de Reabilitação, Fisiatria e Terapias Assistidas
O Cavalo como Recurso Terapêutico
De: Isabel Ponte, Adriana Pires
ISBN: 9789898214911
2025, Editoras Diversas
Capa mole
Páginas: 200
Equinos Medicina Física e de Reabilitação, Fisiatria e Terapias Assistidas
De: Isabel Ponte, Adriana Pires
ISBN: 9789898214911
2025, Editoras Diversas
Capa mole
Páginas: 200
INTRODUÇÃO
Associado a toda a evolução humana, o cavalo ofereceu, ao longo de séculos, a
força necessária aos povos conquistadores. Participou em grandes invasões e sucessivas
migrações, revelando-se imprescindível em tempos de guerra, e foi também
utilizado como meio de transporte e de trabalho rural. Esta simbiose milenar tem por
base a relação existente entre o cavalo e o Homem.
O cavalo – que para o trabalho, a ciência, o desporto e o lazer – é um maravilhoso
auxiliar desde há séculos, não termina por aqui a sua ajuda preciosa e insubstituível:
as atividades a cavalo, com intenção terapêutica, são outra proposta para
desenvolver a relação entre o cavalo e o cavaleiro.
Na sua evolução histórica, o conceito de utilização do cavalo como parceiro
terapêutico evoluiu em duas direções distintas: por um lado, o modelo de desporto
adaptado, praticado nos programas britânicos de equitação com pessoas portadoras
de deficiência; por outro, o modelo clínico, enfatizando o aspeto curativo, utilizado
na Alemanha e na Suíça.
Estruturalmente, o modelo britânico promove o bem-estar físico e psicológico,
utilizando a equitação como desporto de recreação, enquanto a orientação germânica
se baseia na indicação clínica, com relevo no alinhamento postural, mobilidade
e equilíbrio. Nos Estados Unidos, a combinação dos modelos britânico e alemão
expandiu-se em quatro áreas: desporto, terapia, educação e lazer.
De forma a regular os procedimentos a adotar nesta atividade e a promover guias
de boas práticas, existe uma intenção de definir uma nomenclatura; esta está, contudo,
em constante atualização.
Esta é uma área de intervenção que teve o início em Portugal na década de 1990
pela mão de uma fisioterapeuta inglesa, Pamela Eggleton, residente no Algarve e daí
expandiu-se por todo o País, existindo atualmente diversas equipas espalhadas de
norte a sul, que utilizam o cavalo no processo de reabilitação e integração de pessoas
com deficiência.
Esta obra é, inicialmente, o resultado da vontade de um grupo de profissionais
que iniciaram, nos anos 1990, a atividade designada à data, em Portugal, como
«equitação terapêutica» e «hipoterapia», e desejaram reunir informação pela escassez
que havia da mesma, assim como expor a sua experiência nesta área.
Recentemente, as autoras, terapeutas ocupacionais a trabalhar na área, resolveram
dar continuidade a esta ideia de base, mas fazendo uma pesquisa atualizada do
tema a nível internacional, que complementaram com o seu saber de anos de vivência
e evidência de prática clínica.
Concebemos este manual numa perspetiva de partilha de conhecimento, teórico
e prático, tendo como pilar de sustentação a necessidade de concretizarmos diariamente,
uma boa prática, nas nossas intervenções.
Este manual de boas práticas destina-se a técnicos da área da saúde (terapeutas
ocupacionais, fisioterapeutas, terapeutas de fala, psicólogos e médicos); estudantes
destas áreas; profissionais de educação (professores e educadores); profissionais de
arte equestre (professores e monitores); assim como aos pais e familiares de crianças
e jovens frequentadores de Serviços Assistidos com Equinos (SAE), e mesmo a todos
os que tenham interesse neste tema.
Pretendemos, deste modo, clarificar noções essenciais de terminologia, de modo
a uniformizar a nossa linguagem técnica, realçar os fundamentos teóricos relacionados
com a fisiologia do ser humano e do cavalo, nos quais baseamos a nossa prática;
referir características importantes do cavalo e a sua adequação às diferentes abordagens
e equipamento adaptado; o que deveremos avaliar e como intervir nas pessoas
com diferentes diagnósticos, relacionando-as com a atividade equestre; clarificar a
forma mais funcional de montar e apear os cavaleiros em segurança; perceber as
funções dos diferentes membros da equipa; salientar aspetos de organização e segurança
em picadeiro.
Consideramos merecedores de todo o nosso respeito, outros saberes, outros
conhecimentos e outras práticas, diferentes das que depositamos nestas páginas.
Esta é a nossa experiência, que aqui vos revelamos. Tentámos compilar o conhecimento
bibliográfico existente noutros países e associações, reunir um conjunto de
testemunhos de diversas áreas – como equipa que somos a trabalhar no picadeiro –,
de modo a abranger os aspetos mais relevantes desta abordagem tão específica.
Sendo as autoras terapeutas ocupacionais com formação específica em Terapia
Assistida com Equinos (TAE), foi efetuada a exposição de alguns conteúdos na perspetiva
da Terapia Ocupacional.
Pretendemos contribuir para a evolução da prática da TAE, com intervenções
mais planeadas, organizadas, com equipas credenciadas, na esperança de alcançarmos,
de modo mais eficaz, os objetivos que aspiramos para os nossos cavaleiros
especiais.
Esta é a nossa contribuição.
Contribuir para o futuro, será o nosso propósito, o nosso lema.
As autoras
Veja no Pdf, ao lado da capa do livro
Isabel Rute Ponte
Terapeuta Ocupacional licenciada pela Escola Superior de Saúde do Alcoitão (ESSAlcoitão). Trabalha na Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral de Faro (APPC Faro) desde 1988. Realizou os seguintes cursos: TND Neurodesenvolvimento de Bobath e Bobath Bebés; atualização em Neurodesenvolvimento infantil e Integração Sensorial; Integração Sensorial – Desordens do processamento sensorial; participação no «Treino intensivo no PediaSuit Protocol». É coordenadora da equipa do Centro Prescritor de Produtos de Apoio. Na área da Terapia Assistida por Equinos (TAE), fez cursos sobre Equitação para Deficientes no Diamond Centre for Handicapped Riders, em Carshalton, e no Magpie Riding Centre, King’s Lynn, Norfolk, ambos no Reino Unido. Lecionou na Escola Superior de Saúde de Alcoitão no âmbito da disciplina: Modelos e Métodos em Terapia Ocupacional V – sobre o tema Hipoterapia/Equitação Terapêutica. Tem prática clínica com intervenção terapêutica com o cavalo desde 1991 e vem apresentando exposições em palestras, workshops e seminários sobre o tema. É membro da European Equine Assisted Therapy Network, EEATN, Grupo de trabalho para estudo das TAE.
Adriana Pires
Terapeuta Ocupacional licenciada pela Escola Superior de Saúde do Politécnico do Porto, em 2014. Em 2017 fez o Mestrado em Terapia Ocupacional com especialização em Integração Sensorial, em cuja tese procurou evidência científica que ligasse essas áreas. Tem dedicado a sua prática ao desenvolvimento infantil, especialmente pela Integração Sensorial e Terapias Assistidas por Animais. Conta com as seguintes formações: Curso de Equitação Terapêutica, promovido pelo ANDE – Brasil, em 2015, e Pós-graduação em Terapia Assistida por Animais – Cavalos e Cães, pelo Instituto CRIAP, em 2016. Desde esse ano dedicou-se à Terapia Assistida por Equinos, exercendo tanto no contexto privado como no contexto escolar, enquanto terapeuta do Centro de Recursos para a Inclusão. Desde 2019, exerce funções na Kid’oh – Centro de Desenvolvimento da Criança e da Família, onde, com uma equipa multidisciplinar, procura melhorar a cada dia a sua prática e encontrar os melhores recursos e estratégias para ajudar crianças e famílias. Nos anos letivos de 2022/23 e 2023/24 foi oradora convidada na aula introdutória sobre Terapia Assistida por Equinos dos alunos de Licenciatura em Terapia Ocupacional do Instituto Politécnico de Beja.